Nicholas Kirkwood: os sapatos do designer premiado pela BCF/Vogue

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Nicholas Kirkwood foi o vencedor do BCF/Vogue Designer Fashion Fund Award 2013, oferecido pelo British Fashion Council.

Kirkwood, que concorria com Roksanda Ilincic, Peter Pilotto e Mary Katrantzou – nomes de peso da indústria britânica – ganhou o prêmio de melhor estilista e designer do ano, na quarta edição da premiação. O designer vai receber a quantia de 200 mil libras (cerca de R$ 600 mil), além de apoio de profissionais de peso da indústria no próximo ano.

Nesta quarta-feira (30.01) o FFW publicou uma matéria contando um pouco sobre a trajetória deste grande designer que faz dos sapatos verdadeiras obras de arte. Uma história muito interessante e inspiradora, que vale a pena ser lida e compartilhada com quem gosta, ama e admira o trabalho de um grande shoe designer como Nicholas Kirkwood.

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Nicholas Kirkwood faz peças que poderiam muito bem estar em galerias de arte. No entanto, elas ocupam um lugar com um pouco menos de status: os pés. Ele é um “shoe designer” nascido na Alemanha, enquanto o pai trabalhava lá, mas criado em Londres, que estudou na Central Saint Martins, aquela mesma que gerou grandes nomes da moda, como Alexander McQueen e Stella McCartney, e é conhecido por fazer sapatos avant-garde, glamurosos e esculturais. Quando se fala em sapatos de Nicholas Kirkwood, a frase que se costuma ouvir é “experimente antes de julgar”. Isso porque os formatos não convencionais muitas vezes assustam as consumidoras mais tradicionais, mas é só colocá-los nos pés para a mágica acontecer.

O designer começou trabalhando com Philip Treacy (onde se tornou amigo da icônica editora  de moda Isabela Blow), chapeleiro dos mais tradicionais, e reparou que havia uma lacuna no mercado para sapatos com design mais ousado, na mesma linha dos chapéus de Treacy e das criações de Alexander McQueen e Hussein Chalayan. Dessa forma, ele voltou aos estudos para aprender a fabricar sapatos, na Cordwainers, uma das mais prestigiosas escolas de design da Inglaterra.

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Nicholas fez os sapatos dos desfiles de marcas como Ghost e John Rocha para poder, na temporada de verão de 2005, desfilar sua própria coleção. Foi também neste ano que o designer ganhou o primeiro lugar do prêmio da Condé Nast de jovens talentos, fazendo com que os holofotes se virassem para ele, e a questão surgisse: “seria o sapateiro capaz de fazer seus sapatos esculturais e vanguardistas com apelo comercial?”

A resposta foi bastante óbvia: o designer conquistou seu lugar ao sol, e também nomes como a cantora Grace Jones, a herdeira e fashionista Daphne Guiness, o fotógrafo Jean-Paul Goude, Cecília Dean (editora da “Visionaire”) e a atriz Sarah Jessica Parker, além de uma série de prêmios: AltaRoma Vogue Italia Who’s on Next, em 2007, Swarovski Emerging Talent Award de acessórios, British Fashion Awards e o Footwear News Designer of the Year award, em Nova York, em 2008. Não bastasse isso, ele tem feito parcerias para criar os sapatos de marcas como Erdem, Peter Pilloto, Rodarte, uma coleção do filme “Alice in Wonderland” para a Printemps (mas não era possível usar os sapatos, que possuíam porcelanas!), e Pollini, quando Jonathan Saunders era o diretor criativo.

Os sapatos inspirados no filme “Alice no País das Maravilhas”, para  loja Printemps

Os sapatos inspirados no filme “Alice no País das Maravilhas”, para loja Printemps

“As melhores colaborações acontecem quando se trabalha junto. Eu odeio quando é só ‘faça o que você quiser’. A outra parte tenta trazer o quanto puder de si, então o produto final é o resultado de ambos, em vez de pesar para um ou outro lado”, contou ele em entrevista à imprensa internacional. Em setembro do ano passado, Nicholas fez uma coleção inspirada  no artista pop Keith Haring, e contou que em vez de simplesmente estampar sapatos com a estética do artista americano, ele reinterpretou seu trabalho na forma de recortes, motivos e cores ousadas. No vídeo abaixo o designer fala mais sobre a criação com base na arte de Haring.

Um dos grandes diferenciais no trabalho de Kirkwood é que suas peças são praticamente livres de elementos decorativos, e o foco é sempre a “forma”, e também os materiais inovadores. Ele não busca emular ou seguir as tais tendências das estações, e quando elas aparecem é de forma não-intencional, ou seja, resultado do espírito da época, ou “zeitgeist”. A própria maneira como ele cria uma coleção deixa óbvio que o designer não está super-preocupado com a rapidez da moda. Isso porque ele monta uma “história” em sua cabeça, que pode levar várias temporadas para amadurecer e ser manifestada de maneira completa. Por exemplo, na coleção do outono/2008, ele começou com apenas uma pérola incrustada no salto de um sapato; já na primavera seguinte, essa história evoluiu em uma mulher sobre uma plataforma de pérolas. Na mesma coleção ele já iniciou uma história baseada em origamis, mas que seria desenvolvida de forma completa na estação seguinte. Para Kirkwood, o maior desafio de suas criações é sempre manter um equilíbrio entre dois aspectos de feminilidade: astúcia e delicadeza.

Uma peça da coleção do outono/2008, com apenas uma pérola, e na temporada seguinte, primavera/2009, com a evolução da história

Uma peça da coleção do outono/2008, com apenas uma pérola, e na temporada seguinte, primavera/2009, com a evolução da história

Kirkwood não é daquelas apegados ao seu trabalho, e não tem uma peça preferida, pois segundo o próprio, ele nunca está satisfeito com seu trabalho. “Às vezes eu fico muito feliz com a maneira que as coisas ficam. Mas uma vez que o sapato está feito, já superei aquilo. Eu vejo o processo por tanto tempo, que acaba sendo chato depois de um tempo. É como gravar um álbum. Você fica escutando a mesma coisa por tanto tempo, que quando termina você não suporta mais”, explicou.

E se ele pudesse escolher alguma mulher para usar seus sapatos , quem seria? “Se eu estivesse andando pela rua e meu celular tocasse e alguém pedisse por meus sapatos, quem iria me chocar mais? Hmm, Madonna, não… Ah sim. Imelda Marcos!” (uma das maiores colecionadores de sapatos do mundo e viúva do ditador filipino Ferdinando Marcos). Sobre sua musa, Nicholas Kirkwood é sucinto: Uma mulher com presença e inteligência… e um toque de rock-n-roll”.

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